Dossiê Bond – As Origens à Serviço Secreto de Sua Majestade

Bond Fleming

Fleming. Ian Fleming. Um agente secreto à serviço de sua Majestade, sofisticado, cercado de glamour, de uma vida de luxo, espionagem, elevado risco de morte, bebidas e mulheres. Muitas mulheres. A descrição corresponde ao famoso agente secreto com o duplo zero, característico de quem tem licença para matar, James Bond, o agente 007. Entretanto, esse elementos também cercaram o escritor que deu vida ao agente mais famoso do MI-6, o serviço secreto britânico. O criador e sua cria tinham muito em comum. Por isso, Fleming escreveu com tanto entendimento e veracidade, as rotinas e missões do super agente, desde o lançamento do primeiro livro, Cassino Royale, publicado em 1953. Ao longo de 13 anos, foram lançados 14 romances de sucesso. A série de livros foi interrompida com a morte do escritor em 1964. Fleming ainda acompanhou o surgimento de seu super agente nos cinemas, com 007 Contra o Satânico Dr. No (1962), o filme inaugural de uma das maiores franquias de Hollywood, capaz de render bilhões de dólares ainda hoje, com seus mais de 25 filmes. Tendo continuidade esse ano com o lançamento de 007 Contra Spectre (2015). Pelo jeito, ainda veremos mais do super agente, por muito tempo.

Cercado de luxo, Ian Lancaster Fleming veio de uma família nobre inglesa. O avô escocês, Robert Fleming, era um financista de empreendimentos internacionais, fundador do banco Robert Fleming & Co e criador do fundo de investimento Scottish American Investment Trust. O pai, Valentine Fleming, foi membro do Parlamento de Henleyem, do condado de Oxfordshire, a partir de 1910, mas foi morto em combate na Primeira Guerra Mundial, ainda em 1917. O jovem Fleming sofreu perseguição na escola onde estudou, no condado de Dorset. Na Faculdade Eton, não foi um aluno brilhante, mas destacou-se no atletismo. Chegou a vencer dois prêmios no esporte. E fez sucesso com as mulheres. Seus flertes levaram a família Fleming a transferi-lo para a Real Academia Militar de Sandhurst com o objetivo de dar disciplina. A mudança ainda não surtiu o efeito desejado. Fleming precisou deixar a Academia sem conseguir uma patente, por se envolver num relacionamento escandaloso com uma estudante londrina.

Ian Fleming, então, precisou estudar em outras localidades, com breves passagens por Kitzbühel, Áustria, em Munique, Alemanha e em Genebra, Suíça, onde começou um romance com Monique Panchaud de Bottomes, chegando a noivar. A mãe de Fleming, Evelyn St Croix Rose, desaprovou o relacionamento e o obrigou a terminar com a jovem. Evelyn conhecia Sir Roderick Jones, chefe da agência de notícias Reuters e conseguiu um emprego de jornalista para o filho na agência. Quando o rico Avô faleceu, não deixou nada de herança para ele, nem para seus irmãos. Ian precisou trabalhar no Banco e como corretor da Bolsa de Valores. Mas nas férias, vivia de viagens, golf, bebidas, cigarro e mulheres, casadas, solteiras ou viúvas.

Peter Fleming era o irmão mais velho e famoso de Ian. Tornou-se um escritor de livros de viagens. A primeira delas o levou para a Amazônia e resultou no livro Aventura Brasileira, publicada em 1933. Enquanto Ian parecia viver à sombra do irmão, quando aceitou uma missão como repórter em Moscou, na Rússia, para o jornal The Times. Ele tentou entrevistar o líder soviético Joseph Stalin, sem sucesso. Mas os relatórios de Ian Fleming chamaram a atenção do Contra-Almirante John Henry Godfrey, diretor da Inteligência Naval da Marinha Real Britânica que o convidou para trabalhar como assistente pessoal. Fleming entrou para o serviço com o codinome F17, logo alcançando o posto de Comandante, planejando e participando de diversas missões durante a Segunda Guerra Mundial como a Operação Golden Eye na Espanha. Fleming também liderou unidades de combate como a 30 Assault Unit ou 30AU e a Target Force ou T-Force, em missões de inteligência. Fleming e Godfrey foram aos Estados Unidos e contribuíram na criação da Agência de Serviços Estratégicos que posteriormente tornou-se a Central de Inteligência Norte Americana – CIA.

Ainda durante o conflito, Fleming visitou a Jamaica e decidiu que viveria na ilha após o final da guerra. Então, ele mandou construir uma casa na costa norte da ilha que batizou de Goldeneye, onde ele, anos depois, escreveria seus romances. O fim da guerra trouxe novos conflitos para Fleming dentro do próprio serviço de inteligência inglesa e o escritor foi dispensado das atividades. Logo, Fleming tornou-se Gerente de Relações Exteriores do grupo Kemsley, que na época era dono do The Sunday Times. Sua vida amorosa continuava agitada. Depois de envolver-se com Ann Charteris, Fleming ainda viveu um romance com Blanche Blackwell. Fleming não escondia dos amigos mais próximos o desejo de escrever romances de espionagem.

A oportunidade de escrever surgiu quando o autor passou a morar na Jamaica e se preparava para casar com Charteris, que já estava grávida dele. Para Fleming, escrever o livro era uma distração. Uma maneira de aliviar as tensões decorrentes de seu casamento vindouro. Ele escreveu Cassino Royale, em apenas dois meses. Para o nome do personagem principal, Fleming inspirou-se no nome de um escritor ornitólogo norte-americano James Bond, autor do livro Pássaros das Índias Ocidentais, um catálogo com mais de 400 espécies de pássaros das ilhas do Caribe. O livro do especialista em pássaros estava na estante Fleming, em Goldeye. O escritor iniciante mostrou o romance finalizado ao amigo William Plomer que gostou e levou a cópia até a editora Jonathan Cape. Porém, quem leu o novo romance não mostrou entusiasmo. Foi preciso a intervenção do irmão, Peter Fleming, para que a editora decidisse publicar o livro no ano seguinte. E não se arrependeu. A sucessão de livros escrita e lançada por Ian Fleming alcançou relativo sucesso de público, mas sofreu severos ataques da crítica da época que abalaram o entusiasmo e a criatividade do autor.

Em 1954, a Rede de TV CBS resolveu adaptar Casino Royale para a telinha, na série de antologia Climax (1954-58), em que cada episódio era uma história completamente diferente. O primeiro ator a interpretar James Bond foi Barry Nelson, nessa série. Ele ficaria mais conhecido por sua atuação posterior em Aeroporto (1970) e O Iluminado (1980). Após as adaptações como novelas de rádio e histórias em quadrinhos, a trama do agente secreto estava caindo no esquecimento. A sorte começou a mudar com a revelação de um fã inesperado, o Presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy. Em 1961, a revista norte americana Life listou o romance Moscou Contra 007 como um dos dez romances favoritos do então Presidente. Em pouco tempo, Fleming tornou-se o autor de romances policiais mais vendido nos EUA. O encontro com Hollywood passou a ser inevitável. Saiba mais na sequência de Dossiê Bond.

O escritor britânico nem conseguiu usufruir de seu sucesso por muito tempo. Fumante inveterado que não dispensava uma boa bebida, Fleming teve uma vida de excessos que resultaram na sua morte, por ataque cardíaco, em 1964, no dia do aniversário de próprio filho Gaspar Fleming, então com doze anos. Os últimos dois livros de Fleming, The Man with the Golden Gun e Octopussy and The Living Daylights, foram publicados postumamente. A família Fleming sofreu um fim melancólico. Em outubro de 1975, o filho Caspar cometeu suicídio com uma overdose de drogas aos 23 anos de idade, enquanto a viúva de Fleming, Ann Charteris, morreu em 1981. Eles foram enterrados ao lado de Ian Fleming. Mas seu legado vai além e deve sobreviver por muitos anos.

Conheça os livros de James Bond publicados por Ian Fleming e os filmes adaptados:

  • Casino Royale (1953) / Filmes: Casino Royale (1967/2006);
  • Live and Let Die (1954) / Filme: Com 007, Viva e Deixe Morrer (1973);
  • Moonraker (1955) / Filme: 007 Contra o Foguete da Morte (1979);
  • Diamonds Are Forever (1956) / Filme: 007 – Os Diamantes São Eternos (1971);
  • From Russia, with Love (1957) / Filme: Moscou Contra 007 (1963);
  • Dr. No (1958) / Filme: 007 Contra o Satânico Dr. No (1962);
  • Goldfinger (1959) / Filme: 007 Contra Goldfinger (1964);
  • For Your Eyes Only (1960) – Contos
    • From a View to a Kill / Filme 007 na Mira dos Assassinos (1985);
    • For Your Eyes Only / Filme: 007 – Somente Para os Seus Olhos (1981);
    • Quantum of Solace / Filme: 007 – Quantum of Solace (2008);
    • Risico / Filme: 007 – Permissão Para Matar (1989);
    • The Hildebrand Rarity / Filme: 007 Contra Spectre (2015);
  • Thunderball (1961) / Filmes: 007 Contra a Chantagem Atômica (1965), 007 Nunca Mais Outra Vez (1983), 007 Contra Goldeneye (1995);
  • The Spy Who Loved Me (1962) / Filme: 007 – O Espião Que Me Amava (1977);
  • On Her Majesty’s Secret Service (1963) / Filme: 007 À Serviço Secreto de Sua Majestade (1969);
  • You Only Live Twice (1964) / Filme: Com 007, Só Se Vive Duas Vezes (1967);
  • The Man with the Golden Gun (1965) / Filme: 007 Contra o Homem da Pistola de Ouro (1974);
  • Octopussy and The Living Daylights (1966) – Contos
    • Octopussy / Filme: 007 Contra Octopussy (1983);
    • The Living Daylights / Filme: 007 Marcado Para a Morte (1987);
    • The Property of a Lady (tradução: A Propriedade de uma Dama) / Sem filme adaptado;
    • 007 in New York (tradução: 007 em Nova York) / Sem filme adaptado.

Dossiê Bond continua…

Dossiê Bond – Viva a Franquia e Deixe Morrer

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Publicado em 8 de novembro de 2015, em Panorama e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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