Resenha do filme – novo Quarteto Fantástico (2015)

quarteto-2015

A mais nova versão de Quarteto Fantástico (2015) chega aos cinemas com a tarefa ingrata de resgatar o interesse do público para o primeiro super grupo criado no Universo Marvel. A tarefa torna-se mais árdua quando sabemos que é a terceira tentativa de apresentar o grupo nas telas. A primeira versão, de 1994, resultou num filme trash que o estúdio responsável, a Constantin Film nem teve coragem de lançar. Roteiro tosco, atores sofríveis e defeitos especiais de fazer inveja ao Zé do Caixão. A segunda versão já com o selo da Fox, veio no embalo do sucesso de X-Men e Homem Aranha. O estúdio investiu em um elenco popular e um diretor de comédias, o resultado, lançado em 2005, foi um inofensivo filme pipoca, preocupado em agradar toda a família. Chegou a ganhar uma continuação em 2007. Os fãs e o público geral não aprovaram a franquia. Queriam um filme mais sério.

Com o filme Poder Sem Limites, de 2012, o diretor estreante Josh Trank trouxe ousadia e criatividade, numa abordagem realista, ao mostrar um grupo de jovens ganharem super poderes. As comparações com o Quarteto da Marvel foram inevitáveis, pelos vários aspectos semelhantes entre as tramas. A Fox, no risco de perder os direitos do Quarteto, pelos termos do contrato com a Marvel, precisava fazer mais um filme do super grupo com urgência e contratou Josh Trank com a promessa de trazer frescor e restabelecer a franquia. Nos bastidores do novo Quarteto, Trank se mostrou tão rebelde quanto a nova versão de Victor Von Doom nas telas. Segundo rumores, ocorreram muitas discussões criativas a ponto do diretor ser dispensado antes da produção ser finalizada. A situação ficou tão insustentável que a Disney desistiu de contratar Trank para dirigir outro filme da saga espacial Star Wars.

A julgar pelas primeiras críticas divulgadas pela Internet, o novo filme nem parece super, muito menos fantástico. De fato, o novo Quarteto Fantástico sente o peso das discussões internas e a instabilidade resultante disso tornam o filme irregular. O início, mais coeso, procura humanizar os personagens, com um verniz mais realista, sem cair no humor fácil. Vemos a infância de Reed Richards e Ben Grimm. A construção plausível de uma amizade improvável de dois garotos vindos de realidades e interesses tão diferentes. Lembra em estilo, a construção de um filme dos anos 80, com uma apresentação gradual dos elementos que ampliam a dimensão dos protagonistas. Mas o filme não empolga, não surpreende, nem deslumbra o público.

A entrada do Dr. Franklin Storm como catalizador do futuro grupo também flui de forma plausível. Um cientista negro bem sucedido, com a filha adotiva, a dedicada Sue e o filho, rebelde sem causa, Johnny. Mas as relações da família Storm são pouco desenvolvidas, a ponto de Sue e Johnny, embora irmãos, quase não manterem diálogo. Victor Von Doom é o jovem imigrante (da Latvéria, como nos quadrinhos), revoltado, impetuoso e arrogante. Seu personagem é bem construído, mas o ator não consegue se sobressair.

No momento em que o grupo faz a tecnologia interdimensional funcionar e viaja para o desconhecido, o filme não empolga. A direção pesada de Trank conduz o filme como um drama de ficção científica esticado e testemunhamos um longo roteiro focado na origem do grupo e nada mais. Os efeitos especiais são até interessantes, mas a trama evolui tão burocrática quanto um programa de culinária que apresenta uma receita passo a passo. A falta de empatia do elenco, a pouca dinâmica entre eles e a desconstrução de Doom como vilão vão afundando o filme. Após finalmente ganhar seus poderes, uma parte do grupo começa a ser manipulado pelo governo, com Reed foragido e Doom perdido em outra dimensão. A partir daí, a trama é acelerada, deixando muitas lacunas, explicações e perde a oportunidade de explorar certas questões dramaticamente.

Na parte final, quando Doom retorna triunfante, torna-se um personagem genérico, sem voz, unidimensional, com poderes inimagináveis, que não sabe o que fazer com eles, com sede de poder e vingança que lança um ataque contra a Terra, lembrando o vilão do desastroso filme Lanterna Verde (2011). O Quarteto precisa unir as forças para lutar no que parece a final do campeonato da série D, em que o público está mais preocupado em trocar mensagens e piadas no Whatzap. Com tanto drama no juízo, o diretor esqueceu de planejar a ação.

Quarteto Fantástico não chega a ser o 7 x 0, Brasil x Alemanhã, lembrando que existem filmes de super heróis piores como Motoqueiro Fantasma, Elektra, Mulher Gato, Justiceiro e tantos outros deprimentes. O filme começa bem, tem boas intenções, se estica como o poder de Richards, tropeça e cai na grande área, sem a marcação de penalte. O final implode, perdendo a oportunidade de explorar Doom como um grande vilão que é nos quadrinhos. Fica até difícil para a Fox prometer uma continuação. O estúdio nem colocou a tradicional cena de final de créditos. O criador do grupo Stan Lee nem fez a costumeira visita. A chance de ver Quarteto nas telas novamente, em todo o seu potencial, deverá ser com o suporte dos X-Men, nas mãos de Bryan Singer ou de Matthew Vaughn.

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Publicado em 5 de agosto de 2015, em Película e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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