Mulheres marcantes nos quadrinhos – Parte Final

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Para encerrar a série de mulheres mais marcantes dos quadrinhos. Conheça um anjo infernal, uma garotinha politizada, uma guerreira hirboriana, uma jovem iraniana e uma peregrina, sobrevivente do apocalipse zumbi.

Ângela – Uma angelical caçadora de recompensas que atravessou o inferno, dentro e fora dos quadrinhos. A personagem foi criada por Neil Gaiman (Sandman) e desenhada por Todd McFarlane, na revista Spawn nº 9, de março de 1993, da Editora Image. Transitando entre inimiga e aliada, Ângela ajudou a alavancar as vendas de Spawn, uma criação de McFarlane. O desenhista reformulou o Homem Aranha nos anos 90 e ajudou a fundar a nova editora, responsável por surpreender o mercado de quadrinhos norte americano nos anos 90, ao confrontar as grandes DC Comics e Marvel Comics, atraindo artistas populares por oferecer mais liberdade criativa e maior controle sobre seus personagens. Ângela também foi utilizada com outros personagens da nova editora com sucesso. De tão marcante e valiosa, Ângela foi alvo de uma briga judicial que, ao longo de uma década, colocou como inimigos, Neil Gaiman e Todd McFarlane. Por fim, Gaiman venceu e levou Ângela para a Editora Marvel, sendo bem recebida pela Casa de Idéias. Ela estreou durante a mega saga, A Era de Ultron, na revista Age of Ultron nº 10, de junho de 2013, do roteirista Brian Michael Bendis e desenhista Joe Quesada. De casa nova, ficou estabelecido que Ângela, na verdade, é Aldrif, filha de Odin e Frigga. Portanto, irmã de Thor e Loki. Por fim, Ângela passou a ser personagem recorrente em Guardiões da Galáxia, também da Marvel.

Mafalda – Personagem de uma tira de quadrinhos publicada em jornais argentinos, escrita e desenhada pelo cartunista argentino Joaquín Salvador, conhecido como Quino. Mafalda é uma menina idealista e precoce. Com apenas seis anos, ela vive preocupada com o bem estar da Humanidade e a paz mundial. Apesar de agir como uma criança, vive questionando o mundo à sua volta com seu raciocínio aguçado. Ela adora adora os Beatles e o desenho Pica-Pau, mas odeia sopa. O autor precisou de muitos malabarismos para driblar a censura argentina e continuar publicando a garotinha insolente que disparava seu inconformismo, através de frases simples e diretas. Mafalda, que fez 50 anos em 2014, surgiu em tiras na revista semanal Primera Plana, em setembro de 1964. Depois, foi publicada no jornal diário El Mundo. As compilações das melhores tiras saíram em formato de livro na Itália, Espanha, Portugal e outros países. Na Itália, Mafalda foi publicada pelo escritor Umberto Eco (O Nome da Rosa), o livro Malfada, La Contestataria, com grande sucesso, ainda nos anos 60. Eco costuma relacionar Mafalda com outro personagem importante dos quadrinhos, Charlie Brown, criação de Charles Schulz, pela visão crítica do mundo através de olhos infantis. Em 25 de junho de 1973, o autor Quino resolveu encerrar seu trabalho com a personagem, revelando ter esgotado suas idéias. O autor, então, passou a utilizar Mafalda esporadicamente, como em 1976, quando ele fez um pôster para a UNICEF ilustrando a Declaração Universal dos Direitos da Criança. Apesar de Quino ser contrário a ideia de levar sua personagem para outras mídias e formatos, o diretor Carlos D. Marquez realizou a animação Mafalda (1982) para o cinema. Hoje, a personagem é uma referência aos países de língua espanhola e latina. Também faz relativo sucesso no Brasil, mas não há registro de que Mafalda tenha sido publicada nos Estados Unidos. Entretanto, o autor pormenorizou o sucesso da personagem em declaração recente. “Não acredito que Mafalda ultrapasse as fronteiras da história e se transforme em algo parecido com a música de Mozart”. Isso, apenas o tempo poderá dizer.

Red Sonja – Guerreira, lutadora, selvagem. O mundo de fantasia, extremante masculinizado como a chamada Era Hirboriana, famoso por seu personagem central, o bárbaro cimeriano Conan foi criado pelo escritor texano Robert E. Howard em um conto publicado em 1932. Quando o personagem Conan, foi adaptado com grande sucesso para os quadrinhos por Roy Thomas, tendo uma grande revelação como desenhista, o inglês Barry Windsor-Smith, as histórias foram inicialmente inspiradas nos textos de Howard. Uma das personagens criadas pelo escritor Howard foi “Red Sonya de Rogatino”, do livro “The Shadow of Vulture” (A Sombra do Abutre) que inspirou o roteirista Roy Thomas a criar Red Sonja, a guerreira ruiva. Sua primeira aparição foi na revista Conan the Barbarian nº 23, de fevereiro de 1973. Logo, a personagem fez sucesso ao aparecer ao lado do famoso bárbaro. Em diversas ocasiões, a ruiva ganhou revista própria na Marvel. Ela ganhou novo destaque numa interessante história clássica onde seu espírito incorpora em Mary Jane Watson e luta ao lado do Homem Aranha contra uma ameaça hirboriana, o poderoso feiticeiro Kulan Gath, na revista Marvel Team-Up nº 79, de março de 1979, com roteiro de Chris Claremont e John Byrne, além da arte do Byrne. Com o sucesso dos filmes Conan, O Bárbaro (1982) e a continuação, Conan, O Destruidor (1984), que fizeram a fama do astro Arnold Schwarzenegger, realizar um filme com Red Sonja seria um passo natural. Assim, produziram o filme Red Sonja (1985), no Brasil intitulado Guerreiros de Fogo. No papel da guerreira, escolheram a atriz dinamarquesa, Brigitte Nielsen, em sua estréia nas telas. Pelo papel, Nielsen “venceu” um Framboesa de Ouro, de Pior Atriz Revelação. Ela ainda fez vários filmes na carreira, mas ficou famosa por se casar com o astro Sylverster Stallone e, depois, trocá-lo por uma secretária. Os produtores de Red Sonja convocaram Arnold Schwarzenegger para repetir o papel de Conan no filme. Mas não conseguiram comprar os direitos do guerreiro cimério. Então, o astro atuou como um guerreiro genérico, Lord Kalidor. Atualmente, a personagem tem histórias publicadas, em revista própria, na Editora Dynamite Entertainment.

Marjane Satrapi – Única personagem feminina da lista baseada em uma pessoa real que escreveu e desenhou uma série de Graphic Novel em Quadrinhos narrando sua própria vida e história no Irã, na revista Persépolis, publicada como uma série de quatro volumes entre 2000 e 2003 pela editora francesa L’Association. O título é uma referência à cidade histórica de Persépolis, antiga capital do Império Persa, hoje o Irã. A revista narra fatos históricos ocorridos no Irã durante e após a Revolução Islâmica, relatando as consequências dos conflitos políticos e sociais no cotidiano dos cidadãos que enfrentavam repressão das liberdades civis. A própria Satrapi precisou deixar o país para viver em Viena, Áustria, onde concluiu seus estudos, mas vivia uma fase rebelde, entre repúblicas de estudantes e chegou a morar na rua, como indigente. Esses momentos de sua vida também são retratados na trama de Persépolis. Passando pelo seu retorno ao Irã, o casamento conturbado, o divórcio, sua graduação da Universidade, até o momento em que ela precisa deixar mais uma vez sua terra natal para viver em Paris, na França. Os quadrinhos de Persépolis são apresentados em preto e branco, no estilo de alto contraste, em um traço infantilizado para, talvez, minimizar os horrores e todo o drama presente ao longo da história. Ou para contrastar a inocência do traço infantil com o peso da narrativa. Satrapi é obrigada a esconder seus anseios, sua ideologia, suas esperanças por um regime ditador e opressivo, mas extravasa tudo em sua narrativa envolvente e impactante.

Persépolis tornou-se um sucesso por onde foi lançado. A revista semanal norte americana Time classificou Persépolis como um dos Melhores Quadrinhos de 2003, quando foi publicada a edição em um único volume nos Estados Unidos. O jornalista da Time, Andrew Arnold, analisa o texto como “As vezes, engraçado, as vezes, triste, mas sempre sincero e revelador.” O sucesso abriu as portas de Satrapi para um passo mais ousado. Ao lado do artista francês, Vincent Paronnaud, ela dirigiu a animação Persépolis (2007), baseado na própria Graphic Novel. O sucesso foi ainda maior. O filme estreou no Festival de Cannes de 2007, onde recebeu o prêmio Melhor Filme do Júri do Festival. Venceu ainda dois Césars de Melhor Filme de Estreante e Melhor Roteiro Adaptado. Também foi indicado a Melhor Animação no Oscar e Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro. Marjane tornou-se diretora de filmes, depois do desenho famoso. Ela dirigiu Frango com Ameixas (2007), A Gangue dos Jotas (2009) e As Vozes (2012).

Michonne – Uma mulher negra sobrevivente do apocalipse zumbi que entra para o grupo do Sherife Rick. Sua arma favorita é uma Espada Katana. Ela costuma agir sozinha e utiliza diversas táticas de sobrevivência no confronto contra zumbis e humanos perigosos. Apesar da aparência selvagem, ela tem uma postura humana e sensível. Extremamente leal aos amigos e ao grupo. A primeira aparição dela nos quadrinhos, foi no nº 19, da revista The Walking Dead, publicada pela Image Comics, com roteiro de Robert Kirkman e desenho de Charlie Adlard. Ela causa grande surpresa no grupo, quando surge pela primeira vez, com dois zumbis acorrentados, sem braços e parte da boca. Ela usava a inusitada escolta de zumbis como proteção. Antes da grande crise, ela foi advogada que enfrentou uma separação e perdeu o seu filho. Fruto de algum tipo de trauma ou doença mental, ela tem alucinações com o ex-namorado e, as vezes, conversa com ele. Sua atitude decidida e independente logo fizeram o sucesso dela junto ao público. Quando a revista foi adaptada para a série de TV, The Walking Dead, a chegada de Michonne foi aguardada com bastante expectativa pelos fãs dos quadrinhos. Interpretada pela atriz Danai Gurira, Michonne surge brevemente no final da segunda temporada da série, para se tornar regular a partir da terceira temporada. Nos quadrinhos, Michonne vive um romance com o personagem Ezekiel, ainda não visto na série de TV.

Elas são mulheres de fantasia, jovens ou velhas, independentes ou não, conscientes ou não, lindas, sexy ou comuns. Todas trazem consigo a semente de difundirem uma ideia através de cultura e do entretenimento. As mulheres não precisam ser coadjuvantes, não precisam aguardar por ajuda, não dependem dos homens para brilharem. Elas alimentam nas mulheres de verdade que é possível vencer, realizar, conquistar, decidir, superar, viver. Uma atribuição de homens e mulheres. Uma atribuição de seres humanos.

Acompanhe desde o início, a série de matérias especiais sobre as Mulheres Marcantes nos Quadrinhos. Leia aqui.

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Publicado em 10 de março de 2015, em QG HQ e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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