Mulheres marcantes nos quadrinhos – Primeira Parte

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Para celebrar o dia da mulher, vamos conhecer vinte e cinco personagens femininas marcantes dos quadrinhos. Jovens donzelas, guerreiras, damas fatais, aventureiras, lutadoras. Tem de todo o tipo. Muitas delas com alta carga de erotismo, como reflexo de um mercado que alcançava especialmente os homens. No início, não havia mulheres protagonistas, mas isso foi mudando. Elas passaram a ter papéis mais importantes, além de meras coadjuvantes. Deixaram de ser as donzelas que precisavam ser salvas do perigo e passaram a enfrentar o perigo, a resolver os problemas, a integrar equipes com participações decisivas. Um reflexo da participação das mulheres no mercado de trabalho e no mercado consumidor. Algumas personagens mudaram tanto que ficaram quase irreconhecíveis quando comparadas com as suas versões originais, de décadas anteriores. Nos últimos anos, mulheres leitoras também começaram a se interessar pelos quadrinhos e as editoras reagiram a esse novo contexto. Pelo menos nos Estados Unidos, reduziram a carga de erotismo de personagens femininas importantes. Nem todas. Também foram criadas revistas e personagens focadas nas mulheres, inclusive com roteiristas e desenhistas mulheres. Viva a diversidade.

Um terreno fértil de histórias e personagens, o mercado de quadrinhos começou com tiras nos jornais e evoluiu para revistas periódicas. Milhares de editoras foram criadas, especialmente nos Estados Unidos. Na época da grande depressão econômica norte americana, os quadrinhos, assim como a literatura pulp, o cinema e as novelas de rádio eram meios usados pelo público como escapismo, para ajudar a esquecer os problemas reais. Portanto, passaram a fazer grande sucesso. Revistas e personagens se multiplicaram. Parte das editoras se fundiram para criar a DC Comics, a primeira grande editora norte americana que lançou personagens icônicos como Superman e Batman. Eles representa a chamada Era de Ouro dos quadrinhos. Mas a maioria de seus grandes personagens eram masculinos. Cabia as mulheres, o papel de damas em perigo. Era o contexto da época. O mesmo ocorria na literatura, no cinema, na cultura em geral. Essa realidade foi sacudida com a chegada de uma certa guerreira amazona da Ilha Paraíso. Conheça inicialmente, grandes personagens femininas da editora DC Comics.

Mulher Maravilha – Criada por William Moulton Marston, um psicólogo famoso na época por inventar o polígrafo, um detetor de mentiras. Sua primeira aventura foi na revista All Star Comics nº 8, de dezembro de 1941. Diana Prince, a Mulher Maravilha, é uma guerreira amazona da Ilha Paraíso, filha da Rainha Hipólita. É nomeada embaixadora das Amazonas para o mundo, mas mantém ligações com personagens da mitologia grega. Para o público, ela estabeleceu um interessante contraste com o mundo dominado pelos homens. Ao contrário da realidade da maioria das mulheres de seu tempo, focadas em serem donas de casa, cuidarem do lar e dos filhos, a Mulher Maravilha tornou-se a representação da mulher independente, corajosa, decidida, lutadora e protagonista. Com habilidades sobre-humanas, usa um laço da verdade. Martson criou o laço como reflexo de seu polígrafo. Uma vez envolvido pelo laço, o prisioneiro só pode falar a verdade (que seria muito útil em Brasília).

Logo, a personagem se tornou um ícone, celebrada pelo movimento feminista. Ajudou a difundir a ideia de igualdade entre os sexos, de maior participação das mulheres na sociedade, no mercado de trabalho e de serem protagonistas de suas vidas.  A Mulher Maravilha tornou-se fundamental no grupo da Liga da Justiça, ao lado de Superman e Batman. Grandes artistas desenharam a personagem nos quadrinhos como George Perez, John Byrne, Alex Ross, Jim Lee e o brasileiro Mike Deodato Jr. A personagem participou dos Superamigos nos desenhos da TV. Protagonizou um seriado de tv norte americano de grande sucesso nos anos 70, interpretada por Lynda Carter. Mas nos últimos anos, alguns projetos para recriar o seriado de TV com a heroína falharam. Mesmo assim, a Mulher Maravilha terá um importante papel no próximo mega filme da DC Comics, Batman e Superman – O Alvorecer da Justiça, previsto para 2016.

Morte – Acostumados com a representação da morte como uma figura macabra, fantasmagórica e ameaçadora, o público leitor foi surpreendido com uma jovem, rebelde, de roupas góticas, bem humorada, brincalhona e otimista. Estamos falando da Morte criada por Neil Gaiman e pelo desenhista Mike Dringenberg para a série de quadrinhos aclamada pela crítica, Sandman. Sua primeira aparição foi na revista The Sandman Vol. 2, número 8, lançada em agosto de 1989 nos EUA. Integrante da família dos perpétuos com irmãos como Destino, Delírio, Desejo.

Morte é irmã mais velha de Sonho, também conhecido como Sandman, que apesar de dominar o reino do sonhar, vive sempre melancólico. Ela usa um colar na forma de Ankh, ironicamente o símbolo egípcio da vida. Sua presença nas histórias de Sandman tiveram tanto impacto junto ao público que a personagem ganhou histórias como protagonista. Morte – O Preço da Vida e Morte – O Grande Momento da Vida, entre outras. Seus poderes nunca foram totalmente revelados, mas basta ela tocar alguém para resultar em caixão e vela preta. A revista Sandman foi considerada uma das melhores séries de quadrinhos de todos os tempos e Morte é uma de suas personagens mais marcantes.

Mulher Gato – Fruto das damas fatais dos romances pulp e do cinema noir, a Mulher Gato, alter ego de Selina Kyle, é uma personagem dos quadrinhos, inimiga de Batman. Criada em 1940 por Bill Finger e Bob Kane, teve sua primeira aparição na edição número 1 de Batman, conhecida apenas como A Gata. O Coringa, arque-inimigo do Batman, também surgiu nessa edição. O visual da personagem foi inspirado em mulheres reais. A prima de Kane, Ruth Steel e a atriz de cinema, Jean Harlow. A Mulher Gato é uma mulher ambígua. Por sua origem como órfã que fugiu do orfanato para viver nas ruas, ela torna-se uma exímia ladra de joias, a ponto de rivalizar em inteligência com o próprio Homem Morcego. Como toda dama fatal, ela é capaz de seduzir o herói. Suas roupas sensuais e seus adereços icônicos como o chicote, atiçam a imaginação masculina. Batman chega a viver um romance com a Mulher Gato, mas a diferença de interesses rapidamente os colocam em lados opostos.

Nos anos 50, a onda moralista que invadiu a industria cultural nos Estados Unidos, varreu a Mulher Gato para baixo do tapete. Mas a década seguinte, com a chegada de Batman, no popular seriado de televisão, relançou a Mulher Gato ao estrelato de personagens marcantes, com a atuação memorável de Julie Newmar. No cinema, ainda nos anos 60, a personagem foi interpretada por Lee Meriwether, também conhecida pelo seriado O Tunel do Tempo. As versões para as telas do Batman de Tim Burton ganhou a participação da Mulher Gato em Batman – O Retorno (1992), interpretado com explosiva sensualidade por Michelle Pfeiffer. Anos depois, a atriz Halle Berry teve a grande chance com a personagem como protagonista do filme Mulher Gato (2004). Mas o filme foi massacrado pela crítica, sendo o grande “vencedor” do Framboesa de Ouro daquele ano como Pior Filme, Pior Diretor, Pior Roteiro e Pior Atriz para Berry, que fez questão de receber pessoalmente sua estatueta. Atualmente, a personagem continua com grande sucesso nos quadrinhos e participa da série de TV, Gothan, pela jovem atriz Camren Bicondova, como uma ladra adolescente.

Lois Lane – Uma das personagens femininas marcantes mais antigas, ainda atuantes nas histórias em quadrinhos de hoje. Criada pelo roteirista Siegel e desenhista Joe Shuster, ela teve sua primeira apariação na revista Action Comics nº 1, de junho de 1938, revista que marca o início da era dos super heróis e também o início da era de ouro dos quadrinhos. Lane começou tímida, como simples coadjuvante, sem qualquer superpoder. A mulher indefesa que precisa ser salva pelo primeiro e maior de todos os heróis, o Superman. Mesmo assim, já era independente em seu papel de repórter do jornal Planeta Diário. Apesar disso, dificilmente percebeu que seu colega de trabalho, o também repórter Clark Kent, é o alter-ego do Superman. Problema de miopia crônica vivida pelos personagens que vivem ao redor do misterioso jovem Kent. Com o tempo, Lane evoluiu para se tornar mais independente, impulsiva, sarcástica. A única constante dela é ser o principal par romântico do Superman.

O herói vive com ela um amor platônico que evolui para um relacionamento até o ponto em que a editora promove o casamento entre eles, na revista Action Comics nº 484, de junho de 1978. Mas o casal Clark Kent e Lois Lane, casados na trama, são parte do universo batizado pela editora de Terra Dois, diferente dos personagens e do universo apresentado nas primeiras décadas. Após a mega saga Crise nas Infinitas Terras, nos anos 80, Lois Lane foi modernizada pelo roteirista e desenhista John Byrne. Em praticamente todas as versões de Superman para cinema, rádio, televisão, seja seriado ou animação, ele tinha a companhia de Lois Lane. Na versão definitiva para as telas, Superman (1978), dirigido por Richard Donner, o herói kriptoniano é vivido por Christopher Reeve. A atriz canadense Margot Kidder atua como Lois Lane. Os astros repetem seus papéis nos filmes Superman II, III e IV. No segundo filme, Clark Kent abdica de seus poderes kriptonianos para se casar com Lois Lane e viver o resto de seus dias como um humano normal. Mas seus planos são afetados com a chegada do General Zod e sua turma.

O romance entre o casal ainda rendeu o seriado Lois & Clark – As Aventuras do Superman (1993) e ganhou nova roupagem em Smallville (2001). Outros filmes do Superman foram realizados recentemente com novas atrizes no papel de Lane. Destaque para Amy Adams que assumiu o papel no filme Homem de Aço (2013), atualizando com sucesso a personagem para os tempos de hoje. Por isso, a atriz estará de volta como a intrépida Lois Lane, no filme Batman e Superman – O Alvorecer da Justiça, previsto para 2016.

Batgirl – Diferente da maioria das super heroínas estabelecidas, a Batgirl teve diferentes personagens como alter ego ao longo do tempo. Criada por Bill Finger e Sheldon Moldoff na revista Batman nº 139, de abril de 1961, Batgirl era na verdade Mary Elizabeth (Betty) Kane. Apaixonada por Robin, ela ressurge depois como a heroína Labareda e entra para os Novos Titãs. Mas Betty Kane não durou muito como a heroína. Nos anos 60, com o sucesso da série de TV, Batman, os produtores conversaram com o editor da DC Comics, Julius Schwartz, para a criação de uma companhia feminina para o homem morcego que faria a estréia na terceira temporada da série e também nos quadrinhos. A revista Detective Comics nº 359 (1967), relança Batgirl como Barbara Gordon, filha do Comissário James Gordon, numa criação do roteirista Gardner Fox e desenhista Carmine Infantino. Na clássica história A Piada Mortal (1988), de Alan Moore, o Batman enfrenta seu arque-inimigo Coringa com um desfecho brutal para Bárbara Gordon, a deixando paralítica. Entretanto, mesmo numa cadeira de rodas, Gordon não deixou de contribuir no combate ao crime, atuando como uma hacker com o nome Oráculo. Contribuiu decisivamente no grupo Aves de Rapina, ao lado de Canário Negro e Caçadora. Outras personagens assumiram o manto da Batgirl, em suas diversas encarnações, sem o mesmo destaque. Barbara Gordon sempre esteve em evidência pela ressonância da personagem com os movimentos femininos porque ela tinha o título de doutora acadêmica e trabalhava como bibliotecária. A mais recente versão da Batgirl, na última reformulação da DC Comics conhecida como Os Novos 52, Gordon voltou a atuar como Batgirl, sob o lápis da roteirista Gail Simone, na revista solo da personagem. O resultado foi um grande sucesso de público e de crítica. A roteirista também colaborou com as revistas Aves de Rapina e Mulher Maravilha. Quem sabe, o futuro não traga Batgirl para as telas do cinema com o respeito que merece.

Conheça ainda sobre outras personagens marcantes na segunda parte do especial. Leia aqui.

Publicado em 7 de março de 2015, em QG HQ e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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